27.04.10
Pholia Magra – Cordia ecalyculata Vell – Uma planta energizante e supressora do apetite
por Silberto Azevedo
Histórico e curiosidades
O gênero Cordia L. foi descrito por Linnaeus em 1753 e pertence a família Boraginaceae, a qual conta com cerca de 100 gêneros e 2.000 espécies difundidas nos trópicos, nas regiões temperadas e árticas. O gênero Cordia L. é representado por 26 espécies somente no Estado de São Paulo, e têm sido usada na medicina popular, principalmente no tratamento de úlceras gástricas, como anti-inflamatórias, como diurética e no tratamento de obesidade.
No Brasil, esta espécie vegetal ocorre desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, sendo encontrada ainda em Brasília e no Acre.
Sua utilização como planta medicinal é antiga, principalmente na forma de chá, como diurético, estimuladora da circulação, cardiotônico e redutora do inchaço e do apetite (tratamento da obesidade), além de auxiliar na diminuição dos níveis de colesterol total (CT) e triglicerídeos (TG), prevenindo a deposição de gorduras nas artérias.
Além das ações acima citadas, estudos demonstraram também sua atividade antiviral contra Herpes simplex tipo 1 e antibacteriana contra Helicobacter pylori.
Estudos químicos sobre a sua composição evidenciaram a presença de cafeína, alantoína, ácido alantóico e cloreto de potássio.
A cafeína apresenta amplo espectro de atividades farmacológicas, agindo sobre os sistemas nervoso central, cardiovascular, renal e digestivo; sobre o metabolismo de carboidratos e lipídeos, estimulando a lipólise. O mecanismo envolve a indução do acúmulo de AMPc, através da inibição da atividade da enzima fosfodiesterase, a mobilização do cálcio intracelular e, principalmente, o bloqueio de receptores adenosina.
Propriedades e ações terapêuticas
A Cordia ecalyculata Vell ou Cordia salicifolia Cham é popularmente conhecida pelos nomes porangaba, cafezinho, café-do-mato, chá-de-frade, louro-salgueiro e louro-mole. É uma planta nativa do Brasil sendo comumente encontrada nos estados de Minas Gerais, Bahia, Acre e Goiás.
A Cordia ecalyculata Vell constitui uma forma natural e saudável para perda de peso (Cruz, 1995; Ferrari et all, 2006). As propriedades terapêuticas dessa planta podem estar atribuídas à presença de ativos como a cafeína, potássio, taninos, alantoína e ácidos graxos. Pesquisas comprovam a ação da cafeína no sistema nervoso central como supressor do apetite e estimulante para o aumento da queima de gorduras localizadas, principalmente na região do abdômen (Braga, 2000).
Os taninos auxiliam no combate aos radicais livres, prevenindo contra o envelhecimento precoce da pele.
Estudos por pesquisadores japoneses mostraram outras atividades para a Cordia ecalyculata Vell, como ação auxiliar na eliminação de excesso de líquido, aumento da força de contração do músculo cardíaco, redução de depósitos de celulite, estimulante da circulação, auxiliar no combate ao vírus herpes tipo I e citotoxicidade para algumas células cancerígenas.
Outros estudos também evidenciaram a redução dos níveis de colesterol total e triglicérides, substâncias responsáveis pela deposição de gorduras na parede dos vasos sanguíneos, diminuindo assim, os riscos de doenças cardiovasculares (Cardozo et all, 2008).
Principais propriedades terapêuticas:
• Supressora do apetite;
• Termogênica;
• Diurética;
• Hipolipidêmica;
• Estimulante da circulação;
• Anti-viral;
• Cicatrizante;
• Energizante;
• Tonificante muscular;
• Antioxidante.
Mecanismo de ação
A cafeína é um alcalóide pertencente ao grupo das drogas classificadas como as metilxantinas (1, 3, 7-trimetilxantina). É uma substância lipossolúvel e aproximadamente 100% de sua ingestão oral é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal, atingindo seus níveis de pico no plasma, entre 30 e 120 minutos.
É um importante estimulante do sistema nervoso central, e possui diferentes mecanismos de ação no organismo humano:
1. Antagoniza os receptores de adenosina (A1 e A2), bloqueia este efeito inibitório dos neurônios purinérgicos, e como conseqüência, há grande ativação dos neurotransmissores (norepinefrina, dopamina, acetilcolina, glutamato e GABA) aumentando a atividade neuronal em várias áreas do cérebro, estimulando a lipólise e a diurese;
2. Inibe a enzima fosfodiesterase, responsável pela destruição do mediador químico intracelular denominado adenosina monofosfato cíclico (AMP-cíclico), aumentando os níveis de AMP cíclico intracelular com prolongação do seu tempo de meia-vida. Como resultado, gera um uso elevado de triglicérides muscular, promovendo a lipólise, principal mecanismo responsável pela perda de peso e redução da celulite;
3. A cafeína também reduz o limiar de excitabilidade e prolonga o período ativo de contração muscular. Isso ocorre devido ao aumento da liberação do cálcio e a inibição do mecanismo de recaptação do mesmo pelo retículo sarcoplasmático, tornando o íon Cálcio mais disponível para a contração muscular, o que explica sua ação cardiotônica, diminuição do cansaço e a melhora de rendimento nos exercícios físicos.
A cafeína é levemente diurética, conforme já colocado, e esse efeito é potencializado pela presença do potássio presente na planta. A alantoína e o ácido alantóico também estão presentes na planta e auxiliam na cicatrização e regeneração da pele. Flavonóides, taninos e outras substâncias fenólicas são constituintes de plantas com potencial atividade antioxidante, principalmente, por atuarem como seqüestradores de radicais de oxigênio ou radicais livres. Tais substâncias podem induzir danos oxidativos a biomoléculas, entre elas, proteínas e DNA, o que acelera o envelhecimento, favorece o aparecimento de câncer, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas.
Testes clínicos
Como agente auxiliar para perda de peso
Foram realizados estudos com objetivo de avaliar a ação antiobesidade da Cordia ecalyculata Vell comparada a outros agentes anorexígenos como Femproporex e Manzindol. Os resultados foram obtidos mediante a verificação do peso corporal total de 20 ratos da linhagem Wistar induzidos à obesidade. Os animais foram divididos em 4 grupos:
• Grupo controle;
• Grupo tratado com Femproporex (6mg / 200 mL);
• Grupo tratado com Mazindol (6,3 mg / 200 mL);
• Grupo tratado com Cordia ecalyculata Vell (3 g / 200 mL).
Resultados: Após o tratamento, o peso corporal obtido pelos diferentes grupos foi: controle (338,0 ± 3,58), mazindol (290,40 ± 3,69) e Cordia ecalyculata Vell (285,0 ± 5,98). Os grupos submetidos ao femproporex, mazindol e também à Cordia ecalyculata Vell, apresentaram diferença significativa no peso corporal dos animais quando comparados ao grupo controle. A Cordia ecalyculata Vell, conforme veremos no gráfico abaixo, obteve resultados próximos aos outros dois anorexígenos, com valores mais positivos que o próprio mazindol13.
Gráfico 1 – Peso médio corporal do grupo de ratos submetidos ao mazindol e femproporex, Cordia ecalyculata Vell e grupo controle13.
Conclusão: De acordo com os resultados, a diferença do peso entre os ratos pertencentes ao grupo controle e aqueles que receberam Cordia ecalyculata Vell, mostra que a ingestão de desta parece exercer efeito similar aos anorexígenos, possibilitando uma nova alternativa para controle do peso corporal neste teste in vivo.
Como agente anti-viral
Uma universidade japonesa descobriu novas aplicações para a Cordia ecalyculata Vell em 1990, foi demonstrado que 2,5 mcg/mL de um extrato etanólico das folhas reduziu a penetração do vírus Herpes Tipo I em 99%, quando células Hela foram pré-tratadas com o extrato. Em 1994 os pesquisadores demonstraram que a ocorrência de vírus Herpes Tipo I foi reduzida em 33% com uma dosagem de 0,25 mgc/mL, e também descobriram que a Cordia ecalyculata Vell apresenta efeito citotóxico em células cancerígenas, demonstrando 40% de inibição com um extrato metanólico a 50 mcg/mL dos galhos e folhas.
Na prevenção contra doenças cardiovasculares
Estudos clínicos realizados com o objetivo de avaliar a atividade hipolipidêmica do extrato da Cordia ecalyculata Vell, foram promovidos através do monitoramento dos índices sorológicos de colesterol e triglicerídeos. Para o experimento foram usados 40 camundongos, divididos em 4 grupos de 10 animais. Os grupos eram constituídos por:
• 10 Camundongos recebendo água e dieta normal;
• 10 Camundongos recebendo água e dieta hiperlipidêmica;
• 10 Camundongos com dieta normal e administração do extrato da planta;
• 10 Camundongos com dieta hiperlipidêmica e administração do extrato da planta.
A dieta hiperlipidêmica foi administrada durante 30 dias, para o aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos e o tratamento com extrato da planta foi empregado em um período de 15 dias com doses padronizadas de 100 mg/kg/dia.
Resultados: Quando avaliada a ação do extrato da Cordia ecalyculata Vell no perfil lipídico dos animais, verificou-se que esta foi capaz de diminuir tanto os níveis de colesterol (Figura 2), quanto os níveis de triglicerídeos (Figura 3).
Figura 2 – Níveis sanguíneos de colesterol após a administração do extrato de Cordia ecalyculata Vell em camundongos. Os dados estão sendo representados considerando que os valores iniciais de colesterol correspondem a 100%5.
Figura 3 – Níveis sanguíneos de triglicérides após a administração do extrato de Cordia ecalyculata Vell em camundongos. Os dados estão sendo representados considerando que os valores iniciais de triglicerídios correspondem a 100%5.
Conclusão: A diminuição significativa de colesterol (24%) e triglicerídios (50%) obtida após a administração do extrato de Cordia ecalyculata Vell, mostra que esta pode auxiliar de alguma forma na redução dos níveis de gordura no sangue, contribuindo assim, na prevenção de doenças cardiovasculares.
Indicações
• Em dietas para a perda de peso;
• Como redutor do excesso de gorduras localizadas;
• Prevenção contra doenças cardiovasculares;
• Diurético;
• Energizante;
• Tonificante muscular;
• Anti-viral.
Reações adversas
Não foram observadas reações adversas nas literaturas consultadas.
Contra-indicações
Em doses muito altas pode se tornar tóxica. É contra indicada para hipertensos e cardiopatas com sensibilidade à cafeína, gestantes e crianças.
Sugestão de dose
A dosagem sugerida é de 125 – 300 mg duas vezes ao dia, antes das principais refeições.
Incompatibilidade
Não foram encontradas incompatibilidades nas literaturas consultadas.
Toxicidade
Estudos toxicológicos realizados encontraram uma DL50 > 2000 mg/kg de peso corporal para o extrato administrado por via oral.
ATENÇÃO: ESTE TEXTO TEM CARÁTER INFORMATIVO. NÃO USE PLANTAS MEDICINAIS OU MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO.
”SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO”
Referências
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CRUZ, G. L. Dicionário das Plantas úteis do Brasil. 5ª ed. Rio de Janeiro: Betrand, 1995.
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