16.03.09
Aromaterapia – O poder e fascínio dos óleos essenciais.
por Silberto Azevedo
Introdução
Enquanto trabalhava em seu laboratório, René-Maurice Gattefosse, químico francês especialista na área de cosmética sofreu um acidente que lhe queimou a mão e antebraço. Intuitivamente ele mergulhou seu braço em uma tina contendo óleo de lavanda, acreditando que era água. Para sua surpresa, a dor da queimadura diminuiu rapidamente, e durante um curto espaço de tempo, com uso contínuo do óleo de lavanda, a queimadura cicatrizou completamente sem deixar qualquer cicatriz.
Analisando o óleo essencial de lavanda, Gattefosse descobriu que este continha uma série de substâncias químicas de extraordinárias propriedades terapêuticas. Assim, com este resultado dedicou-se profundamente ao estudo do poder curativo dos óleos essenciais.
Foi devido ao nascimento de uma nova forma de terapia, que não possuía ainda uma denominação clara e que fazia uso dos “aromas” presentes nos óleos essenciais para tratar corpo e mente que Gattefosse criou o termo aromaterapia, que se espalhou por todo o mundo.
Posteriormente, com base nas pesquisas de Gattefossé, o médico francês, o Dr. Jean Valnet, desenvolveu o primeiro sistema de terapia através dos óleos essenciais. Durante a segunda guerra mundial, onde serviu como médico na frente armada francesa nas muralhas da China, tratando das vítimas, o Dr. Valnet ficou sem antibióticos e então resolveu fazer uso dos óleos essenciais. Como resultado ele percebeu o poderoso efeito redutor e exterminador dos processos infecciosos que afetavam os feridos.
Outra personalidade de destaque foi Margaret Maury, bioquímica que estudou o trabalho de Valnet, sendo a pioneira na introdução da visão holística dentro da aromaterapia, criando assim um método de aplicação dos óleos pela massagem e de acordo com as características temperamentais e de personalidade de seus clientes. Os trabalhos combinado de Margaret Maury e Jean Valnet criaram a aromaterapia.
Atualmente a aromaterapia é uma forma de tratamento reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e aplicada em diversos países.
Utilização
A aromaterapia pode ser dividida em três grandes ramos:
Fisiológica – Acontece pelas propriedades químicas dos óleos essenciais que permitem a muitos carregarem consigo propriedades antibióticas, antiinflamatórias, antifúngicas, analgésicas, sedativas, dentre outras. Normalmente é feito o uso dos óleos para tratar destes problemas através de massagens, banhos, compressas, inalação, sua ingestão e pelo uso de produtos que os contenha.
Na prática estes três grupos de atuação estão presentes, pois uma forma acaba por interferir na outra. Portanto, o efeito psicológico do óleo essencial sobre a mente é marcante, causando liberações a nível emocional de traumas e somatizações, assim como tratando uma série de desordens de personalidade como raiva, medos, apegos, fobias, etc. O tratamento fisiológico pode dar respostas rápidas, como acontece às vezes com casos de infecções e processos inflamatórios. Já o efeito energético é muito semelhante à ação psicoterápica, porém têm marcante repercussão fisiológica.
Formas de uso
Os óleos essenciais funcionam como poderosos auxiliadores da saúde, mas não devem ser usados em excesso. Estes podem ser usados através de três formas básicas:
Olfato (difusor, spray de ambiente difusor, inalação, vaporização), absorção pela pele (massagens, banhos, escalda-pés, compressas, duchas) e uso oral. Portanto, é preciso adequar a forma de uso do óleo essencial ao resultado esperado na terapia.
Inalação
A inalação pode ser considerada a forma mais segura para o emprego da aromaterapia, pois a quantidade de óleo absorvida é bem pequena o que leva a serem bem menores os riscos de intoxicação. Na maioria dos casos os óleos exigem uma parcela bem pequena para que possam agir no tratamento.
A forma mais eficaz de inalação é aquela feita com o uso de uma panela com água recém-fervida onde se adiciona um pouco de óleo essencial (3 a 5 gotas), e debruçando-se sobre a panela, cobre-se a cabeça com uma toalha para aumentar ainda mais a quantidade de óleo absorvido na inspiração. Outra maneira seria pelo uso de diversos tipos de aromatizador. A quantidade de óleo absorvida neste último caso é menor, porém o uso é mais fácil, principalmente para o tratamento psicológico.
Via olfato deve-se tomar cuidado com tempo de exposição e concentração. Uma parte do aroma inalado vai para os pulmões via traquéia, penetrando nos brônquios, bronquíolos e alvéolos, passando para a corrente sangüínea nas trocas gasosas, agindo da mesma forma da penetração cutânea. Outra parte do aroma vai para o cérebro, atingindo o Sistema Nervoso Central e mais especificamente o Sistema Límbico, que é nosso antigo Cérebro das Emoções, responsável por nossas emoções, nossos comportamentos e atitudes, nossa memória e nosso humor.
No aromatizador de ambiente ou vaporizador podem ser colocadas de 6 a 15 gotas de óleo com um pouco de água.
Massagem
A massagem oferece uma forma de aplicar os óleos essenciais de maneira também segura, porém a quantidade de produto aplicado e absorvido é bem menor. Em virtude disto é importante o acompanhamento de um massoterapeuta experiente.
Na pele deve-se tomar cuidado extra, para evitar reações alérgicas, sensibilizações, queimaduras, irritações, etc. Para o uso seguro, devem-se diluir os óleos essenciais em veículos carreadores, como cremes neutros e óleos vegetais. Penetrando na pele, os óleos essenciais entrarão na corrente sangüínea e agirão nos órgãos internos, sendo excretadas as quantidades não metabolizadas. Pode-se fazer isto através de cremes e óleos corporais, massagens, tratamentos estéticos, compressas, etc.
O nível de absorção de um óleo pela pele sofre interferência da temperatura da pele e sua influência sobre a dilatação dos seus poros, também de qual veículo é empregado em conjunto para ser aplicado sobre ela. Alguns veículos como o álcool, aceleram o processo de absorção do óleo, enquanto outros como o óleo de oliva diminuem, devido à sua densidade. Os compostos presentes no óleo podem interferir em seu índice de absorção, por exemplo citamos os compostos estimulantes da circulação como a cânfora que fazem com que os outros compostos aplicados em conjunto sofram uma absorção mais rápida.
Uso oral
O uso oral é o de mais rápida eficácia, porém pode oferecer maiores riscos de intoxicação. Esta forma de uso somente deve ser feito com a prescrição de um profissional habilitado, qualificado e que tenha noções de toxicologia de óleos essenciais.
Certos óleos com baixas dosagens (2 conta-gotas) podem ser fatais para uma criança de 3 anos como o Wormseed (erva-de-santa-maria), ou apresentar efeitos colaterais menores como secura na boca, dor de cabeça, náuseas e vômitos, entre outros.
Como algumas enzimas, principalmente existentes no fígado ou no estômago interferem no processo de atuação do óleo, o uso interno para certos óleos é contra-indicado.
Uma visão holítica
Na prática, cada óleo essencial agirá de uma forma diferente no nosso corpo, sob os aspectos físico, mental e emocional, de acordo com sua composição química.
Assim a aromaterapia é holística, pois pode abordar diversos males sob estes três aspectos, e não isoladamente.
Fontes:
Wolffenbüttel, A. N. Mas afinal o que são óleos essenciais. Informativo CRQ-V, ano XI, n.º105, novembro/dezembro/2007, págs. 06 e 07. Disponível em: http://www.oleoessencial.com.br/artigos.html




