22.06.10
CARDUUS MARIANUS (CARDO MARIANO) OU SILIMARINA – PROTETOR HEPÁTICO E ANTIOXIDANTE
por Silberto Azevedo
História e Distribuição:
O cardo mariano é originário da área mediterrâneo (Sul da Europa, Norte da África), sendo introduzido posteriormente na América do Norte (costa oeste), América do Sul e em vários outros locais.
A planta é comestível e os frutos secos são para uso medicinal.
O nome veio de Dioscórides e acreditava-se que a virgem Maria amamentava Jesus sob uma árvore de Cardo, daí as manchas brancas nas folhas. Além disso, era indicada para a lactação e por Dioscórides como emética.
Possui receptáculo floral comestível como a alcachofra e por ser hepatoprotetor sua cultura se disseminou pelo mundo, nos séculos XVI e XVII.
Ações terapêuticas
Hepatoprotetor e antioxidante.
Propriedades
A silimarina é o nome genérico de um grupo de compostos naturais (silibina, silidianina e silicristina) extraída do fruto da planta medicinal Carduus marianus, reconhecida por sua atividade anti-hepatotóxica. A silimarina protege contra as mais severas necroses hepáticas, tais como as provocadas pelo tetracloreto de carbono e contra lesões tóxicas do fígado ocasionadas pelas toxinas de cogumelos venenosos. As substâncias ativas do Carduus marianus podem ser usadas curativamente depois da ingestão de produtos tóxicos. Uma vez que alguns venenos levam algumas horas a serem absorvidos e a chegar ao fígado, a silimarina pode atrasar a sua assimilação, permitindo ao organismo eliminar as toxinas. Contudo, o efeito curativo é mais fraco que o efeito preventivo. Outro efeito terapêutico é devido à silibina, esta estimula várias funções das células hepáticas, tais como a proliferação celular, a síntese proteica, a assimilação do oxigênio, a formação de energia, a reparação das membranas celulares danificadas, etc. A silimarina tem uma forte ação antioxidante, protegendo as células hepáticas contra a peroxidação lipídica da membrana celular e das organelas dos hepatócitos, resguardando, desta forma, sua integridade e, assim, a função fisiológica do fígado7 de eventuais substâncias tóxicas, tanto de origem endógenas como exógenas. Age aumentando a síntese de RNA mensageiro, o que acelera a síntese protéica. É utilizada no tratamento de hepatopatias crônicas, cirrose hepática, esteatose e lesão hepatotóxicas, produzindo rápida melhora dos sintomas clínicos (cefaléia, astenia, anorexia, distúrbios digestivos, sensação de peso epigástrico, etc.).
A silimarina também estimula a atividade da superoxidodismutase (SOD) e aumenta os níveis de glutation peroxidase (GSH), os dois principais sistemas enzimáticos envolvidos na neutralização dos perigosos radicais livres do oxigênio. A silimarina tem ainda ação antiinflamatória e antialérgica.
De vários estudos realizados por intoxicação com álcool chegaram a conclusão que 420 mg/dia de silimarina em 4 semanas de tratamento foi capaz de reduzir os níveis enzimáticos alterados pelo uso do álcool.
No alcoolismo crônico o etanol é convertido a acetaldeído pelo álcool desidrogenase e uma parte por uma via metabólica acessória que usa o sistema oxidativo microssomal. Neste caso a peroxidação lipídica induzida pelos radicais livres parece ser o mecanismo principal para os danos nos hepatócitos, sobretudo quando a concentração de glutation é baixa.
Em casos de cirrose micromodular e fibromatose hepática por abuso de álcool, a mesma dose de silimarina, mas com a administração durante 6 meses.
Com o tratamento de silimarina pode-se detectar que em todos os casos de cirrose há diminuição das enzimas asparto-amino-transferase, alanina-amino-transferase, GOT, GPT, -GT, bilirrubina e por outro lado aumento dos níveis de SOD e glutation peroxidase.
A silimarina também foi capaz de reduzir o dano hepático provocado por psicofármacos que são metabolizados por peroxidação lipídica como as butirofenonas e fenotiazinas.
A exposição a solventes orgânicos como tolueno e xileno tem seu efeito tóxico reduzido com o uso da silimarina, com doses de 420 mg/diários por 30 dias.
Indicações
Hepatite viral, hepatopatias crônicas de diferente etiologia (tóxicas, metabólicas, infecciosas, alcoólicas) cirrose e esteatose.
Posologia
Crianças entre 10 e 15kg: 25mg, 3 vezes/dia.
Crianças entre 15 e 30kg: 50mg, 3 vezes/dia.
Adolescentes: 75mg/dia.
Adultos: 70 a 140mg (extrato seco) ou 20 gotas (tintura) 3 vezes/dia, durante 5 a 6 semanas.
Reações adversas
Epigastralgias, diarréia, reações cutâneas alérgicas.
Precauções
Não apresenta efeitos embriotóxicos, podendo ser administrada tanto durante a gravidez como no período de aleitamento.
Interações
Até o presente não foram descritas interações com outros fármacos.
Contra-indicações
Hipersensibilidade à silimarina. Obstrução mecânica das vias biliares.
Fontes
P.R. Vade-mécum 2004/2005
Almança, C. C. J.; Carvalho, J. C. T. Formulário de prescrição fitoterápica. São Paulo: Atheneu, 2003.
ATENÇÃO: ESTE TEXTO TEM CARÁTER INFORMATIVO. NÃO USE PLANTAS MEDICINAIS OU MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO.
“SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.”





