31.01.09
Corpo, homeopatia e videoarte
por Silberto Azevedo
Juliana Alvarenga Freitas*
A analogia pode ser pensada como transposição, deslocamento de relações de um campo específico do conhecimento para outro. A partir da noção de apolíneo e dionisíaco em Nietzsche, pode-se afirmar que linguagem é a representação simbólica e necessária do conhecimento. Apolo e Dionísio representam impulsos artísticos opostos e interdependentes e apenas da tensão entre eles nasceria a arte. Apolo traz a medida na qual a beleza se torna proteção contra o sofrimento inerente à vida. O impulso de Dionísio revela um estado de embriaguez em que o indivíduo está fundido com o outro e com a natureza, o que lhe permite acesso direto ao conhecimento sem a ilusão da representação, da linguagem. Nele o artista se torna a obra de arte, sem o véu de maia1, a máscara necessária para lidar com o terrível da existência e do conhecimento. Apolo, como “uma ilusão magnífica” (NIETZSCHE, 2005, p. 141), materializa a experiência dionisíaca do profundo, faz aparecer com nitidez a obra de arte. No momento em que o sujeito se aparta do objeto, a linguagem é gerada através de uma elaboração racional do observador, até então dissolvido na embriaguez da experiência intuitiva.
O corpo humano é também criador de linguagens ao manifestar alterações funcionais características das doenças e surge como espaço onde o conhecimento se dá, por onde passarão os impulsos instintivos de Dionísio: “O saber não é mais suficiente como tal, ele é acompanhado de uma intuição orgânica.” (BERGER, 2003, p. 43). Este saber com o corpo é a essência da homeopatia, Saiba mais »




