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12.09.10

VITIS VINIFERA – ANTIOXIDANTE, PROTETOR CARDÍACO E HEPÁTICO

por

Poliana Teixeira[1]

A atividade da viticultura sempre foi carregada de simbologia na tradição ocidental. Para judeus e cristãos, a videira representa o povo (de quem Deus cuida, assim como o homem cuida da videira), e as uvas simbolizam as promessas de Deus. Nos tempos do Antigo Testamento, uvas e vinho eram levados ao altar na celebração das colheitas, e o vinho (suco fermentado da uva) era parte integrante das ofertas de sacrifício no templo. Na Bíblia o vinho é símbolo de alegria e de plenitude de dádivas de Deus, sendo inclusive indicado “para alegrar a vida”.

No Novo Testamento, o vinho adquiriu significado especial para a celebração e fé cristãs, nas parábolas de Jesus e nos textos de instituição da Santa Ceia. No Evangelho de Lucas, encontramos a mistura de óleo e vinho com função curativa.

A uva (Vitis vinifera, L.), ao lado do pão, é considerada um dos símbolos da alimentação humana. Já existiam representações egípcias da colheita da uva e do fabrico do vinho em 3.500 a.C. A videira atingiu grande importância na cultura greco-romana, que a difundiu por toda a região da Ásia Menor e Europa. Na Idade Média surgiram na Europa importantes centros vinícolas, vários destes ligados a mosteiros, que deram suas contribuições para o melhoramento das técnicas de cultivo da uva e produção de vinho. A viticultura foi posteriormente levada por imigrantes europeus para a América e demais continentes.

Planta trepadeira com gavinhas bem desenvolvidas; tronco lenhoso contorcido, que pode chegar até 35 metros de comprimento (dependendo da espécie). Para fins comerciais não passa de 3 metros (poda produtiva); folhas alternas, pecioladas, flores pequenas de cor esverdeada; frutos em bagas reunidos em cachos, sendo que cada fruto possui duas ou quatro sementes (ou ausentes).

São mais de 8.000 espécies de uvas, entre silvestres (selvagens) e viníferas (cultivadas). Sendo que as partes utilizadas são: folhas, frutos e sementes (óleo).

Porém, por volta de 1980, grande destaque na mídia passou a ser dado para as possíveis correlações entre consumo de suco de uva e vinho com a saúde humana, verificadas a partir de estudos científicos envolvendo populações consumidoras das bebidas. A partir de então a uva vem sendo estudada em todo o mundo, e o vinho entrou para a lista dos chamados “alimentos funcionais”, consumidos com a finalidade de prevenir doenças e manter a saúde.

Vários compostos vêm sendo descritos na literatura, presentes na uva e consequentemente nos vinhos, aos quais se atribuem diversas ações farmacológicas.

E como as doenças cardiovasculares apresentam-se como uma importante causa de mortalidade em todo o mundo é natural o interesse da ciência e da mídia, diante da possibilidade de prevenção através de medidas que incluem a adoção de hábitos alimentares saudáveis e prática de exercícios físicos.

Há evidências de que o consumo regular de vinho tinto, dentro de certos limites, é capaz de prevenir doenças cardiovasculares e assim contribuir para aumentar a longevidade humana, por mecanismos ainda não totalmente esclarecidos.

Na mesma linha, a obesidade é uma doença crônica decorrente de um desequilíbrio calórico provocado pela ingestão de dietas inadequadas e estilo de vida sedentário. A prevalência dessa doença tem aumentado muito em vários países, contribuindo substancialmente com a morbidade e mortalidade associadas com a resistência à insulina, diabetes, hiperlipidemia, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Dietas contendo elevadas concentrações de carboidratos (açúcar) e ácidos graxos (gorduras) saturados resultam em expansão do tecido adiposo. O acúmulo de lipídeos nesse tecido está relacionado com o aumento da produção de radicais livres e provoca o estresse oxidativo sistêmico, constituindo um importante mecanismo patogênico da obesidade.

Dietas ricas em açúcar têm sido uma constante na maioria das populações podendo estar associada à elevada incidência de obesidade e diabetes mellitus. O consumo elevado de açúcar aumenta também a síntese de ácidos graxos no tecido hepático promovendo a dislipidemia.

O dano produzido pelos radicais livres nas moléculas tem sido associado ao risco elevado de desenvolvimento de doenças crônicas, como o câncer e doenças cardiovasculares.

O desequilíbrio entre a produção de oxidantes e defesas antioxidantes é denominado estresse oxidativo. Importantes fontes de estresse oxidativo são espécies reativas de oxigênio (ERO) formadas pela redução incompleta de oxigênio na cadeia respiratória e sistemas de defesa dos indivíduos.

As ERO estão associadas com a peroxidação lipídica que causam danos diretos às células do fígado (hepatócitos) por provocar rompimento de membranas, proteínas e DNA dessas células.

O organismo humano possui mecanismos de defesa endógenos contra a ação tóxica de radicais livres, entretanto, podem não ser suficientes para impedir a ação deletéria de uma liberação elevada dos mesmos. Compostos da dieta, que podem atuar como antioxidantes podem exercer efeitos benéficos, aumentando as defesas celulares contra o dano oxidativo. Portanto, há atualmente um grande interesse na descoberta de substâncias naturais capazes de atuar como antioxidantes, podendo conter ou até mesmo reverter danos causados pelo estresse oxidativo.

A uva (Vitis vinifera L.) é rica em compostos fenólicos como ácidos fenólicos, os polifenóis e flavonóides (flavonas, flavanonas, flavonóis, catequinas e antocianinas) que protegem contra a oxidação do LDL colesterol através da redução de radicais livres, quelação de íons metálicos e regeneração de alfa ocoferol. Atuam também contra radicais livres, alergias, inflamações, úlceras, virose, tumores e hepatotoxinas. Inibem agregação plaquetária, reduzindo as cardiopatias e tromboses e a síntese de estrógeno.

Possuí grande quantidade de Resveratrol, um polifenol com forte ação antioxidante. Este tem sido o responsável pelos efeitos benéficos cardiovasculares associados ao consumo de vinho. Compostos fitoquímicos presentes na Vitis vinifera podem suprimir a aterosclerose, sem afetar as concentrações de lipídeos sanguíneos e apresentam inúmeros efeitos biológicos como ação antitumoral, antiinflamatória e antiagregante plaquetária, o que lhe torna capaz de inibir a aterosclerose.

O Resveratrol é sintetizado por vegetais em resposta a condições adversas como estresse, radiação UV e infecção por fungos.

Rocha, 2010 analisou os efeitos do Resveratrol sobre o perfil lipídico e estresse oxidativo séricos em ratos submetidos à dieta hipercalórica utilizando 24 ratos, divididos em 3 grupos: C (controle) que recebeu dieta padrão e água, R que recebeu dieta padrão e Resveratrol, H que recebeu dieta hipercalórica e água até o 30° dia, quando foi submetido dividido em 2 grupos: H que manteve a mesma dieta e HR que incluiu o Resveratrol, por mais 15 dias.

Ao término do período experimental, 45 dias, o grupo HR apresentou redução na glicemia (em jejum) quando comparado ao grupo H, evidenciando uma possível ação hipoglicemiante do Resveratrol em condições de elevada ingestão calórica.

Houve também redução nas concentrações de lipídeos e elevação nas substâncias antioxidantes totais nos animais dos grupos R e HR comparados ao C e H respectivamente. Concluiu-se que a administração de Resveratrol induziu efeitos benéficos no estresse oxidativo hepático independente da dieta utilizada.

A semente da uva é rica em proantocianidinas que atuam diminuindo a permeabilidade capilar, aumentando sua resistência e melhorando a circulação periférica. As proantocianidinas têm sido utilizadas em enfermidades vasculares como insuficiência venosa, varizes, problemas microvasculares e retinopatias.

Experimentos realizados em ratos, com lesão renal aguda, utilizando extrato da semente da uva rico em proantocianidinas, mostrou melhora da função renal e redução dos níveis de peroxidação lipídica nestes animais.

Propriedades

A antocianidina atua promovendo a redução da pressão arterial por inibição da enzima conversora de angiotensina I em II, além de melhorar a contratilidade cardíaca e a redução de arritmias durante um processo experimental de isquemia.

Diminui a agregação plaquetária pela ação do Resveratrol, evitando a formação de trombos e, portanto reduzindo a incidência de acidentes vasculares como infarto e o Acidente Vascular Cerebral (AVC). Apresenta ação vasoprotetora.

Aumenta o HDL e diminuem o colesterol total e as lipoproteínas de baixa densidade (LDL).

As cascas e sementes, principalmente das uvas roxas ou vermelhas, possuem mais de 20 substâncias antioxidantes conhecidas, entre elas o resveratrol e a quercetina. Apresenta atividade antioxidante, eficaz quanto à capacidade de captar radicais livres e de inibir a peroxidação lipídica, graças à ação das antocianidinas que inibem a formação de proteases e antielastases que culminariam com a destruição dos tecidos endoteliais e elásticos dos vasos.

As procianidinas apresentam ainda efeito protetor contra estresse oxidativo e aumenta a atividade antioxidante do plasma. As procianidinas apresentam efeito preventivo contra catarata e câncer de colon.

A melhora da insuficiência venosa crônica, evidenciada pela melhora subjetiva de sintomas associados (parestesias e dores).

Em conjunto com a Centella asiática apresenta-se útil na redução de linfedemas.

Os taninos encontrados em sementes de Vitis vinifera reduzem o nível de glicose no sangue. Induzem a regeneração de células ?-pancreáticas (epicatequina) que inibem a absorção da glicose no intestino (catequina) e aumentam a síntese de glicogênio hepático (galato epicatequina).

Ações Terapêuticas

  • Vasoprotetora e antiagregante plaquetária
  • Antioxidante
  • Antihepatotóxico
  • Antitumoral
  • Antiinflamatório
  • Hipolipemiante
  • Antiviral
  • Captador de radicais livres de oxigênio
  • Proteção em relação à ateroesclerose

Indicação

As folhas são indicadas como venotônicas, vasoprotetoras, adstringentes e diuréticas;

O chá refresca o intestino, relaxa os nervos e tonifica o coração. Possui ação antidiarréica, hemostática (combatem os sangramentos), antianêmica (ricas em ferro, além de estimular a produção dos glóbulos vermelhos), depurativa e tônica.

O fruto tem ação antioxidante, vitamínico e reconstituinte com muitas propriedades medicinais. Atua sobre o fígado, rim e intestino, devido a presença de sais de potássio, substâncias pécticas e tartaratos o que lhe confere efeito desintoxicante.

O suco de uva natural é indicado para fadiga, convalescença, anemias, alcalinizar o sangue acidificado pelo excesso de carnes, desintoxicação, deficiência de vitamina C e minerais.

Posologia

  • Chá: infusão a 2,5 % das folhas (plantas secas) e 5-10% (plantas frescas): 5 a 10 mL/kg/dia em 3 ou 4 tomadas ou mais frequente nos casos agudos.
  • Extrato fluido (1:1): 0,5 a 2 gotas/kg/dia, em 3 ou 4 tomadas ou mais frequente se necessário nos casos agudos.
  • Tintura (1:5): 1 a 4 gotas/kg/dia, em 3 ou 4 tomadas ou mais frequente nos casos agudos.
  • Sucos da fruta (natural e orgânico): 2 a 4 copos dia.
  • Extrato seco (5:1): 150 a 300 mg/dia, em 3 ou 4 vezes ou mais frequente nos casos agudos. Pode ser também associado ao Cardus marianus e/ou Alcachofra da seguinte forma:

Alcachofra                               250 mg

Carduus marianus (Silimarina)     70 mg

Vitis vinifera                             80 mg

Uma cápsula duas vezes ao dia.

Reações Adversas

Não há registros de efeitos adversos, é seguro para o uso terapêutico proposto.

Precauções

Não consumir este produto em caso de gravidez ou amamentação. Pessoas com qualquer problema de saúde consultar seu médico antes de consumir o produto.

Interações

Até o presente não foram descritas interações com outros fármacos.

Contra-indicações

Não foi relatado contra-indicação.

Fontes

Acauan, Ana Paula Super molécula Resveratrol, encontrada na uva, pode prevenir doenças. Revista da PUC RS ano XXX, nº 133, mar – abr 2007.

Rocha, K. K. H. R. Efeitos do Resveratrol, polifenol da uva, sobre metabolismo basal e hepático, estresse oxidativo e perfilo lipídico em ratos submetidos a dieta rica em sacarose e sua associação ao consumo de etanol. UNESP, Botucatu, 2010.

Schleier, Rodolfo Constituintes fitoquímicos da Vitis vinifera. Faculdade de Ciências da Saúde, São Paulo, 2004.

Vitis vinifera – Palestras. Disponível em http://www.reservaecocerradobrasil.org/pdf/Vitis.pdf

ATENÇÃO: ESTE TEXTO TEM CARÁTER INFORMATIVO. NÃO USE PLANTAS MEDICINAIS OU MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO.

“SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.”


[1] Farmacêutica especialista em Antroposofia e Homeopatia

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